Pó de perda.

Pó de pedra, lembranças e, principalmente, fotos da sua adolescência. Periodicamente, quando se sentia triste ou saudosa, desamarrava com cuidado o laço da fita que a mantinha em uma caixa fechada e, por alguma razão, sempre sorria ao ver sua própria imagem juvenil… Às vezes, por nostalgia, outras por resignação de já não ser a mesma jovem do passado…

Assim acontecia, até que uma inesperada mensagem do Luisinho, seu amor da juventude, atualizou lembranças que, magicamente ganharam vida e movimento. A antiga paixão descongelou e virou seu mundo de cabeça para baixo…
Não é mais a mulher adulta que quer ser jovem, agora é a própria jovem que, apaixonada, programa seu futuro. A inversão é completa, as fotos se tornaram realidade e o presente ficou reduzido apenas, a uma foto. Rosane migrou de espectadora do passado a entusiasta protagonista do futuro… O detalhe é que entre ambas as fotos passaram quase 15 anos e, quando recupera a lucidez se pergunta se na sua caixa de papelão poderão caber marido e filhos…
Como entrar numa nova vida sem transportar sua história? Pergunta angustiada e lembramos a ela que a melhor decisão, se existir, está nas suas próprias mãos.
É evidente que Rosane anseia por um freio, porque sua paixão pode ser louca, mas não é burra. Levo ela a pensar em analise que nunca teve sequer um dia de convivência com Luisinho que, de fato, é um desconhecido, a paixão se sustenta sobre um passado fantasioso da juventude e centenas de contatos virtuais, motivo pelo qual é possível que Luisinho não seja exatamente como ela imagina. Não negamos que a ame, mas é óbvio que, sendo separado, não tem muito a perder num novo casamento. Diferentemente de Rosane. Estas reflexões são duras e antipáticas, no entanto, é imprescindível sua empolgação passar por um filtro de racionalidade. Se a relação sobreviver a este exame, será mais sólida e confiável. Abandonar uma família relativamente feliz é um canhão de um tiro só. Se errar e quiser retornar, já nunca mais será a mesma coisa, no entanto se acertar, terá forças suficientes para resolver todos os problemas familiares. Há paixões que chegam para serem vividas, outras, para serem sofridas. Rosane precisa saber como enquadrar sua nova relação e, com maiores certezas, tomar medidas necessárias para concretizá-la.
Apagar um amor é triste, sofrer por ele é ainda mais triste.

Por Sérgio Costa.

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