O amante como bem social

O amante como bem social?!

Claudia vive com seu marido, mas sonha com Carlos, com quem tem encontros constantes, momentos intensos e, apesar de ter consciência das enormes dificuldades práticas, imagina um dia se casar com ele. Pensamos que sofre agudamente da mesma síndrome. É óbvio que a Claudia dona de casa, é diferente da outra, que, elegante e maquiada, troca olhares com João no escritório, ou quando tira suas roupas nos encontros furtivos. Nessa hora ambos os amantes oferecem e recebem, em clima romântico, o melhor de si mesmos. Os motéis, de horas roubadas, valorizam o erotismo e por isso não é de surpreender que alguns casais os frequentem para turbinar o desejo e reparar o desgaste da vida familiar. Por isso queremos alertar os amantes quanto à traiçoeira síndrome do “outro lugar”, sabemos dos possíveis riscos de se casar com o amante. Transitar do motel para o casamento não é tão simples quanto parece, exige um intenso e demorado trabalho de elaboração. Alguns casais conseguem ser eternos amantes, já outros sucumbem à burocracia cotidiana. Claudia dá poucos detalhes do seu casamento. Ficou grávida do seu único filho durante uma separação, detalhe significativo que poderíamos interpretar como um desejo inconsciente de continuar casada. tc

Seu mundo atual está dividido entre obrigações domésticas e férias com seu amante no escritório. Supomos que, se efetivamente tivesse a intenção de se separar do seu marido, teria evitado a gravidez. Talvez não confie suficientemente no Carlos, ou nos seus próprios sentimentos. Entendemos a gravidade do seu conflito, suas alternativas são dramáticas e não quer se lançar no vácuo. Por isso temos uma proposta: imaginar como seria sua relação com Juan, se ambos fossem solteiros. É possível que sem saber ajam fascinados pela clandestinidade. A vida proibida oscila entre terrível e maravilhosa, no entanto, infelizmente, não é nem uma coisa, nem outra. Para decifrar sua verdade, precisa de um tempo de abstinência, de desintoxicação, férias reais talvez uma licença no trabalho, ou uma viagem para “outro lugar”. Dificilmente será objetiva sem alguma distância física. O proibido emociona, ilumina e acentua os encontros, mas seu inconveniente maior é sempre deixar um grave rastro de culpa, que, sinceramente, o amor não merece.

Por Sérgio Costa.

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